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A vida tem sentido?

A vida tem sentido? Acordar. Escovar os dentes. Tomar banho. Se vestir. Sair. Desenvolver as obrigações diárias. Voltar para casa. Jantar. Tomar banho. Dormir. Amanhã tudo de novo.

No fim, há lógica nisso tudo?! Alguns se apegam a determinadas atividades e situações para fazerem disso as rédeas da vida. Talvez seja uma alternativa. Talvez não. Vai saber. Existem alguns que simplesmente não veem racionalidade.

Aquela quarta-feira a noite em que muitos assistem futebol e gritam gol não faz muito sentido. As festas vão perdendo a graça. As “tradições” parecem não ter muita coerência. As cobiças materiais são deixadas de lado. O status vira algo irrelevante.

Conjunturas, lugares e coisas que são vistos pelas pessoas como prazerosos e satisfativos parecem não ter mais tanto significado. Sonhos tidos como fabulosos se tornam ilusões pouco sedutoras.

Você deseja algo. Ao conquistar, vem o ócio. Almeja outra coisa. Ao conseguir, novamente o ócio. Entre desejo e o ócio caminha a humanidade. Esse ciclo é normal ou tedioso? Será que tem algo além disso?

Talvez essa seja uma das grandes questões da vida: compreendê-la. Fazer essa análise dentro do comportamento culturalmente padronizado é difícil. A educação tradicional não ajuda, até porque muitas pessoas e instituições querem controlar até aonde os nossos pensamentos são capazes de ir.

Nascer. Viver fantasias. Morrer e voltar ao nosso estado inicial. Mas, e o que fazer durante esse curto espaço de tempo que temos? Dar alguma contribuição?

Raul Seixas olhava isso com muita ironia e dizia: “você ainda acha que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social (...) eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa”.

Refletir é mais do que necessário. Quanto antes, melhor. Isso traz, ao mesmo tempo, angústia e consciência. Quando o avião está caindo, apenas os que têm ciência da gravidade da situação se desesperam. Os demais passageiros que desconhecem o problema estão tranquilos. Seria a paz da ignorância?!

Tudo é muito rápido. Meditar próximo do chão só aumenta a aflição. Quando se assusta, o avião explode. Assim é a vida. Ao parar pra pensar, já se foram 10, 20, 30, 40, 50 anos desperdiçados. Afinal: qual o sentido da vida? Tolstói, Dostoievski, Nietzsche, Schopenhauer e alguns outros não encontraram.

Embora possa parecer estranho dizer isso aos 28, a ideia de “fazer tudo igual” é agonizante, ainda mais quando muitas das coisas consideradas “normais” pararam de fazer sentido aos 22. A ideia de ser apenas mais um tijolo na parede não é convidativa.

LENINE PÓVOAS é advogado.

Cuiabá/MT, em 13.07.2017.

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