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Integração Metropolitana

Regiões metropolitanas devem ser objeto de cuidado coletivo de todas as cidades que a compõe. A razão é óbvia. Os atos de um local, sejam eles positivos ou negativos, atingem diretamente os seus arredores nos mais variados aspectos. Em Cuiabá e Várzea Grande a situação não é diferente.

A Capital é mais desenvolvida por alguns motivos, a começar pelo fator histórico. Durante a Guerra do Paraguai (1867) a população, de modo geral, residia em Cuiabá. Já o outro lado do Rio (Várzea Grande) era destinado para os “prisioneiros de guerra”.

Com o término das batalhas iniciou-se um processo amplo de interligação-habitacional entre as duas cidades, o que acelerou o desenvolvimento de Várzea Grande, levando benefícios a Cuiabá e vice-versa. Desde então essas localidades passaram a estar umbilicalmente ligadas do ponto de vista social, político, econômico, educacional, de segurança pública, etc.

Percebendo essa situação em meados do século passado, o Poder Executivo almejou viabilizar autonomia à Várzea Grande, sobretudo para que suas eventuais deficiências não impactassem em Cuiabá, situação essa que originou alguns atos políticos buscando atrair investimentos para a região, tal qual como a doação de áreas para fins de exploração industrial, inclusive com incentivos fiscais.

A estratégia funcionou. Embora Várzea Grande tenha encurtado a diferenciação de desenvolvimento para com Cuiabá, a integração metropolitana não pode parar, sob pena de haver prejuízos para toda a região.

O último grande pacto por desenvolvimento mútuo foram as Obras da Copa, a exemplo do transporte público (VLT), o qual acabou interrompido por inúmeros fatores. Trabalhos dessa natureza não podem parar por quaisquer razões que sejam. A população precisa se atentar e lutar por isso.

Se não há educação em Cuiabá, os seus habitantes buscarão isso em Várzea Grande. Caso não haja saúde em Várzea Grande, o seu povo irá procurar resguardo em Cuiabá. Na eventualidade de não se ter emprego em uma das cidades, haverá consequências sociais em toda a região, e aí por diante.

É necessário redespertar o senso coletivo da importância de Cuiabá e Várzea Grande andarem de mãos dadas. As políticas executadas em uma localidade influenciam diretamente na cidade vizinha.

LENINE PÓVOAS é Advogado, Professor e Procurador Geral da Câmara Municipal de Cuiabá/MT.

Cuiabá/MT, em 17.05.17