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Conquistas das Mulheres e mudança social

       A família sempre foi considerada uma das bases que sustentam a sociedade. Qualquer mudança neste ambiente atinge diretamente a comunidade. As justas conquistas femininas proporcionaram modificação na estrutura familiar, situação essa que remodelou completamente o estilo de vida das pessoas.

      A mulher, após árduas lutas, foi alcançando, pouco a pouco, direitos que antes só eram destinados aos homens. Nada mais justo. Essa situação altera uma cultura de milênios, mexendo na sociedade como um todo. Mais do que uma mera data para comemorar o “dia da mulher”, é fundamental a compreensão dos reflexos disso.

      A Revolução Industrial, as duas Guerras Mundiais e inúmeros outros fatores marcaram significativamente a inserção da mulher no mercado de trabalho e a conquista de vários outros direitos, o que também desencadeou na Revolução Sexual.

      O sexo feminino foi deixando para trás a concepção rude de serem meramente subservientes. Elas passaram a ir em busca de seus projetos pessoais e profissionais, o que antes somente era possível aos homens. As mulheres não aceitavam mais serem inferiorizadas.

     Esse contexto reestruturou as relações humanas. Não se trata de algo negativo. Toda “mudança” gera um “efeito”. A vida em sociedade é baseada nisso.

       Antigamente a ideia familiar era de complementação, ou seja, um responsabilizava o outro pelo próprio bem-estar. Eram “metades” que se uniam. Em regra, o homem buscava o sustento e a mulher estruturava o ambiente familiar. A partir do momento em que houve conquista em todos os aspectos por parte do sexo feminino foi aberto um caminho para novos tempos.

      As mulheres ganharam independência e individualidade, financeira e emocional. As relações deixaram de ser de duas “metades” e passaram a ser de “dois inteiros” com total autonomia. Um não é mais o “suporte” do outro. O afeto na modernidade são de duas pessoas “completas”.  A ideia de “dependência” se esvaziou. Os relacionamentos baseados em “dominação” estão ultrapassados. Se pautar nisso é ir na contramão das conquistas femininas e da cultura contemporânea.

     Nos dias atuais, Pai e Mãe almejam projetos pessoais e profissionais autônomos, fazendo com que ambos se ausentem por tempo considerável do lar. As crianças passaram a ser “cuidadas” por terceiros, modificando a forma de se educar. Repita-se: não trata-se de algo ruim, mas apenas de novos tempos, o qual é irrefreável.

         Atrelado a isso chegou a era da individualidade. Um fator com aporte de responsabilidade na aceitabilidade disso foi a tecnologia, mesmo porque permitiu que as pessoas, inclusive as crianças, perdessem o receio do isolamento, fazendo com que elas se sentissem melhores consigo mesmas. Àqueles que conseguem lidar melhor com a solidão estão mais contextualizados aos tempos modernos, porém, mais afastados de laços humanos coletivos.

        O autoconhecimento e a compreensão são fundamentais para um proveitoso relacionamento. Isso permite que as pessoas sejam mais sensíveis as outras, inclusive gerando respeito mútuo.

         As mulheres ganharam espaço na sociedade, a figura da família se alterou e as relações mudaram. Todos esses fatores fazem parte do processo civilizatório. O mundo mudou. Se as pessoas ficarem presas à culturas ultrapassadas, o sofrimento será inevitavelmente grande.

         Há uma nova forma de se relacionar, a qual não deixa de ser saudável, apenas é diferente de concepções passadas, o que se deve, entre outros motivos, às conquistas femininas
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         Parabéns a todas as mulheres.

LENINE PÓVOAS é advogado e Professor.
Cuiabá/MT, em 08.03.2017
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