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De Lenine Póvoas para Lenine Póvoas

De Lenine Póvoas para Lenine Póvoas

 

Aos 4 dias de julho de 1921, na periferia de Cuiabá, nascia Lenine de Campos Póvoas, filho de Rosa e do Professor Nilo Póvoas, sobrinho de Isac Póvoas e neto de um dos heróis da Guerra do Paraguai, Pedro Póvoas. Se hoje estivesse vivo, completaria 91 anos.

 

Estudou na escola Liceu Cuiabano e partiu para o Rio de Janeiro com muita dificuldade, graduando-se em Ciências Jurídicas, retornando, posteriormente, a sua terra natal, onde se imortalizou no coração do povo mato-grossense.

 

Embora tenha sido Mestre na Universidade Federal de Mato Grosso; integrante do Instituto Geográfico e Histórico de Mato Grosso; Deputado por dois mandatos, inclusive constituinte; fundador, ministro (hoje conselheiro), e presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso; Vice-Governador; Presidente da Federação Mato Grossense de Mineração; Chefe da Casa Civil; Secretário de Administração; Fundador e Presidente da Fundação Cultura (hoje Secretaria de Cultura); Presidente da Federação Mato Grossense dos Desportos; integrante da Academia Mato Grossense de Letras, casa esta que presidiu por mais de 10 anos, onde ocupou a cadeira n.° 33; historiador e titular de mais de 30 obras, tendo publicado o seu primeiro livro aos 23 anos de idade, impressionava a todos seus conterrâneos com a sua humildade.

 

Com biografia impecável, Lenine Póvoas, homem simples, honesto, sério, culto, compromissado com o país, era desapegado das finanças, cabendo citar, entre inúmeros exemplos de trabalho para com o progresso, o fato de que quando lhe foram oferecidas milhares de hectares pelo Centro-Oeste afora, ele recusou e disse que não era agricultor, sendo que não iria alavancar o desenvolvimento da nação, demonstrando que não tinha interesse nenhum na mercantilização individual. Pensava na seara maior, imaginava sempre um país melhor, um Mato Grosso completo de realizações para o povo.

 

Hoje em dia tem gente que não imagina que a política de Mato Grosso já foi contemplada com pessoas desse comportamento.

 

Não obstante a conduta de probidade de Lenine Póvoas, que quem conhece minimamente a história de Mato Grosso sabe, ele entrou e saiu da vida pública de cabeça erguida e pela porta de frente, deixando um imenso legado, nunca tendo lesado o Estado e dando enorme contribuição para as gerações futuras.

Houve inúmeros pedidos para que ele fizesse uma autobiografia, mas todos sem êxito. Ele se recusava a falar de si mesmo, não gostava de nada que o deixasse em evidência, sempre preferiu ficar no coração dos amigos e familiares.

 

A continuidade de um trabalho de figuras como este homem começou a ser barrada pela corrupção que infesta o atual quadro político brasileiro. Uma pena!

Diante de um trabalho sério e compromissado com o povo, Lenine Póvoas, em mais de 50 anos de vida pública, nunca enriqueceu, contrariando o que vemos hoje em dia. Tem alguma coisa muito errada.

 

Quando Conselheiro e Presidente do Tribunal de Contas, teve que ingressar em juízo para poder comprovar seu tempo de serviço para aposentaria, sendo que, na atualidade, não se vê essa conduta.

 

Antigamente, as pessoas que queriam enriquecer iam para a área privada, hoje vão para a vida pública. Estranho, não?! Você faz falta aos seus familiares e ao povo brasileiro.

 

Ser filho de Hermes de Abreu e de Maria Helena Póvoas, pessoas públicas e reconhecidas pelos seus trabalhos prestados a sociedade, é um enorme orgulho, mas confesso que carregar o peso do seu nome e por isso ser indagado em quase todos os lugares em Mato Grosso, por gente que nunca vi, falando que a vida pública carece de pessoas com o seu comportamento, é de enorme alegria, entusiasmo e responsabilidade.

 

A sua biografia o imortalizou, deixando saudade para seus familiares e se tornando referência de probidade, compromisso e respeito pelo o que é público. Olhando para o passado, veremos que se pessoas com o seu perfil tomarem as rédeas do país, ainda há esperança. Certo de que isso ainda pode acontecer, um grande sorriso esteve estampado em minha face quando li a dedicatória do seu livro “O caos brasileiro”:

 

“Aos meus netos, para que tenham uma ideia do Brasil em que viveu o seu avô e para que ajudem os jovens da sua geração a transformá-lo no país dos meus sonhos.”

 

Cedo ou tarde a gente vai se encontrar para bater aquele bom e velho papo que tínhamos no escritório da sua casa, foram ‘aulas’ que jamais me esquecerei, até lá, é com grande honra que irei carregar o seu nome, vovô.

Feliz Aniversário.

 

LENINE PÓVOAS DE ABREU é estudante de direito, neto do historiador, professor e político LENINE DE CAMPOS PÓVOAS.


04/07/2012